
Tudo começou quando no dia 07 de agosto, a Geórgia enviou tropas para retomar a Ossétia do Sul, uma região que declarou sua independência da Geórgia em 1992. Moscou, que apóia a decisão do pequeno território e tem forças de paz na região, respondeu rapidamente enviando tropas à Ossétia do Sul, dando início a um conflito entre os dois países.
O presidente da França e atual presidente da União Européia, Nicolas Sarkozy, foi encarregado então de mediar as conversas para se chegar a um acordo de paz. Desde a primeira reunião a Geórgia se mostrou positiva para um acordo, mas não chegou a assinar os termos de trégua, passando para a Rússia a exigência para primeiramente assinar o acordo e retirar as tropas da região.
Depois de 8 dias de confrontos, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, assinou acordo de cessar-fogo com a Rússia.
O ressentimento com a desintegração da União Soviética, a construção de um oleoduto na Geórgia - que fez com que a Rússia deixasse de ser a única rota do gás e do petróleo da Ásia Central à Europa- e a vontade de conter a influência dos EUA na região são os prováveis motivos para a ofensiva russa na Geórgia.
Segundo Marshall Goldman, PhD em estudos da Rússia pela Universidade Harvard, a Rússia interfere com tanta força na Ossétia do Sul por uma questão psicológica, material e política. A primeira explica-se da seguinte forma: os russos perderam status, deixaram de ser uma superpotência no começo dos anos 90, quando a economia passou por problemas e deixou o país desintegrado. Por isso a Rússia vê na Ossétia do Sul e na Abkázia uma forma de recriar uma grande Rússia. Principalmente porque os russos perderam muita força e alguns territórios e propriedades. E como os ossetianos e abkazianos tem interesse de fazer parte da Rússia, o país tenta reunificar esses dois territórios.
A parte política é a de que a Rússia vê os EUA e a Europa ocidental tentando levar adiante essa separação (da Rússia) e de cercar a Rússia, vindo pelo seu quintal. Certamente é o que está acontecendo, como vêem, no Cáucaso, nos Estados Bálticos que se uniram à Otan, no Leste Europeu, com a Romênia, Bulgária e Hungria, todas se tornando parte da União Européia e da Otan. Novamente é a questão de o país ter se desintegrado e de querer restabelecê-lo.
No âmbito econômico, eles querem a riqueza em particular. A Geórgia está vivendo um rápido crescimento econômico, de 6 à 7% ao ano, mas há outro aspecto. A Geórgia facilitou a construção de um óleoduto e de um gasoduto através de seu território que liga o Azerbaijão à Turquia, permitindo que o petróleo e o gás da Ásia Central não passem pela Rússia em seu caminho para a Europa.
Os países da Ásia Central tinham de passar pela Rússia, e os russos podiam controlar (o fluxo de combustível) e cobrar impostos sem ter de se preocupar com concorrência.
Agora, Turcomenistão, Cazaquistão e Uzbequistão podem exportar seu petróleo e gás através do Azerbaijão, Geórgia e Turquia. Isso os deixa livres e eles podem diminuir seu preço. A Geórgia tem sido um alvo desde que os russos começaram a se preocupar com essa questão.
O recohecimento por Moscou da independência da Ossétia do Sul e Abkházia, nada mais é do que uma forma de a Rússia devolver na mesma moeda o reconhecimento da independência de Kosovo, Província de sua aliada Sérvia, pelos Estados Unidos e outros 45 dos 192 países-membros da ONU.
De qualquer maneira, a independência não deve mudar muita coisa para os ossetianos e abkazianos, primeiro porque é inviável, as duas regiões autônomas dependem muito de outros estados e países para sobreviver, a Abkházia por ficar no litoral atrai visitantes para a região, mas não o suficiente para sobreviver do turismo, além de ter uma produção modesta de frutas e tabaco. A Ossétia do Sul não produz quase nada e importa a maior parte dos bens que consome da Ossétia do Norte, na Rússia, e isso fará com que os dois territórios continuarão, na prática, assimilados à Rússia. Pelo menos 90% da população da Abkházia e da Ossétia do Sul têm passaporte russo e muitos votaram no pleito presidencial de março, a moeda mais usada também é a russa, a chamada rublo.
Toda essa crise vem gerando um outro problema, a Rússia vem enfrentando resistência para sua entrada na OMC ( Organização Mundial do Comércio), o que já se arrasta por 13 anos.
A tensão entre Geógia e Rússia só comprova que comércio e política são inseparáveis e que tem mais a ver com guerra e paz do que com bananas.
O presidente da França e atual presidente da União Européia, Nicolas Sarkozy, foi encarregado então de mediar as conversas para se chegar a um acordo de paz. Desde a primeira reunião a Geórgia se mostrou positiva para um acordo, mas não chegou a assinar os termos de trégua, passando para a Rússia a exigência para primeiramente assinar o acordo e retirar as tropas da região.
Depois de 8 dias de confrontos, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, assinou acordo de cessar-fogo com a Rússia.
O ressentimento com a desintegração da União Soviética, a construção de um oleoduto na Geórgia - que fez com que a Rússia deixasse de ser a única rota do gás e do petróleo da Ásia Central à Europa- e a vontade de conter a influência dos EUA na região são os prováveis motivos para a ofensiva russa na Geórgia.
Segundo Marshall Goldman, PhD em estudos da Rússia pela Universidade Harvard, a Rússia interfere com tanta força na Ossétia do Sul por uma questão psicológica, material e política. A primeira explica-se da seguinte forma: os russos perderam status, deixaram de ser uma superpotência no começo dos anos 90, quando a economia passou por problemas e deixou o país desintegrado. Por isso a Rússia vê na Ossétia do Sul e na Abkázia uma forma de recriar uma grande Rússia. Principalmente porque os russos perderam muita força e alguns territórios e propriedades. E como os ossetianos e abkazianos tem interesse de fazer parte da Rússia, o país tenta reunificar esses dois territórios.
A parte política é a de que a Rússia vê os EUA e a Europa ocidental tentando levar adiante essa separação (da Rússia) e de cercar a Rússia, vindo pelo seu quintal. Certamente é o que está acontecendo, como vêem, no Cáucaso, nos Estados Bálticos que se uniram à Otan, no Leste Europeu, com a Romênia, Bulgária e Hungria, todas se tornando parte da União Européia e da Otan. Novamente é a questão de o país ter se desintegrado e de querer restabelecê-lo.
No âmbito econômico, eles querem a riqueza em particular. A Geórgia está vivendo um rápido crescimento econômico, de 6 à 7% ao ano, mas há outro aspecto. A Geórgia facilitou a construção de um óleoduto e de um gasoduto através de seu território que liga o Azerbaijão à Turquia, permitindo que o petróleo e o gás da Ásia Central não passem pela Rússia em seu caminho para a Europa.
Os países da Ásia Central tinham de passar pela Rússia, e os russos podiam controlar (o fluxo de combustível) e cobrar impostos sem ter de se preocupar com concorrência.
Agora, Turcomenistão, Cazaquistão e Uzbequistão podem exportar seu petróleo e gás através do Azerbaijão, Geórgia e Turquia. Isso os deixa livres e eles podem diminuir seu preço. A Geórgia tem sido um alvo desde que os russos começaram a se preocupar com essa questão.
O recohecimento por Moscou da independência da Ossétia do Sul e Abkházia, nada mais é do que uma forma de a Rússia devolver na mesma moeda o reconhecimento da independência de Kosovo, Província de sua aliada Sérvia, pelos Estados Unidos e outros 45 dos 192 países-membros da ONU.
De qualquer maneira, a independência não deve mudar muita coisa para os ossetianos e abkazianos, primeiro porque é inviável, as duas regiões autônomas dependem muito de outros estados e países para sobreviver, a Abkházia por ficar no litoral atrai visitantes para a região, mas não o suficiente para sobreviver do turismo, além de ter uma produção modesta de frutas e tabaco. A Ossétia do Sul não produz quase nada e importa a maior parte dos bens que consome da Ossétia do Norte, na Rússia, e isso fará com que os dois territórios continuarão, na prática, assimilados à Rússia. Pelo menos 90% da população da Abkházia e da Ossétia do Sul têm passaporte russo e muitos votaram no pleito presidencial de março, a moeda mais usada também é a russa, a chamada rublo.
Toda essa crise vem gerando um outro problema, a Rússia vem enfrentando resistência para sua entrada na OMC ( Organização Mundial do Comércio), o que já se arrasta por 13 anos.
A tensão entre Geógia e Rússia só comprova que comércio e política são inseparáveis e que tem mais a ver com guerra e paz do que com bananas.
