segunda-feira, 26 de abril de 2010

Falta combinar com o consumidor...

A cada dia que passa, percebe-se um maior número de pessoas preocupadas em preservar o meio ambiente. Pensando nesse público, que também consome, as empresas estão estudando, inovando, buscando alternativas para seus produtos poluirem menos.
Mas se parecemos preocupados em comprar produtos mais ecologicos, por que as prateleiras dos supermercados estão cada vez mais cheias de produtos ecologicamente corretos que não são consumidos?
Exigimos mudanças, mas nós mesmos não somos capazes de olhar, pesquisar novos produtos e preços pelo simples hábito de usar sempre os mesmos produtos, com seus mesmos tamanhos e preços. E fizemos nossas escolhas conforme nossas necessidades e da mídia, que cria esses "hábitos" no consumidor.
O mercado está mudando, as empresas querem incorporar à sua marca o valor do ecologicamente correto, e nós temos que mudar os nossos hábitos também. Não basta simplesmente parecermos preocupados com o desmatamento e a poluição, temos que, de fato, fazer algo para contribuir.
Para se ter uma ideia, a Unilever lançou a versão concentrada de seu principal amaciante, o Confort, em maio de 2008. Com meio litro, o novo produto rende tanto quanto o de 2 litros, da versão convencional. Como a embalagem é menor, economiza 58% de plástico e, consequentemente, usa menos petróleo. Seu processo de produção consome 79% a menos de água. As caixas que o transportam acomodam mais unidades num mesmo espaço, reduzindo em 67% as viagens de caminhões para chegar aos pontos de venda. Tudo isso pelo mesmo preço do produto em tamanho convencional. O objetivo da empresa era desbancar o "velho e grande" Confort, o que até o momento não aconteceu.
Um levantamento feito na rede de varejo Walmart mostra que o amaciante tradicional ainda vende 50% a mais que o concentrado.
Mas o amaciante da Unilever é apenas um dos casos de produtos criados para explorar o consumo ambientalmente correto. Há empresas que investiram em mudar sabão em pó, chá orgânico, papel higiênico. Sem contar as mudanças de embalagem.
Veja abaixo alguns desses produtos e algumas mudanças.




... e com a sua empregada!!!!


Como muitas vezes é a empregada que vai ao supermercado, é necessário, pelo menos uma vez, ir com ela e mostrar essas opções dos produtos ecológicos que a partir daquele momento passam a ser de sua preferência, mas o mais importante de tudo é ensiná-la a como usar e também a ler as instruções de uso. O sabão em pó ecológico da Procter & Gamble, por exemplo, enfrenta uma certa resistência porque as donas de casa acham que as suas empregadas domésticas não saberão usar o produto da forma correta. Isso porque a espuma está associada a limpeza da roupa e a fórmula deste produto faz menos espuma e, assim, dispensa o último enxágue, economizando 30% de água em cada lavagem da máquina. Mas ele não fez o sucesso esperado.
A Johnson & Johnson, mudou sua caixa de Band-Aid por uma menor, passando a colocar a mesma quantidade do produto numa caixa com 18% menos matéria-prima. E sem alterar as informações do rótulo. Um detalhe importante é que 90% de todo o Band-Aid consumido no mundo é feito no Brasil.
O consumo tende a ficar mais verde. Mas essa tendência só vai se confirmar se combinarem com os consumidores e esses com suas empregadas domésticas.

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