
Se eu tivesse que escolher apenas uma palavra para falar sobre a viagem ao Marrocos, seria: impressionante.
Marrocos é impressionante em vários sentidos. Não sabíamos exatamente o que esperar, imaginávamos um lugar bastante seco, extremamente quente, com camelos... nada muito além disso.
Quando desembarcamos do avião percebemos que Marrakesch não era tão quente como havíamos pensado. Na imigração os fiscais me questionaram quando falei que era jornalista, queriam saber o nome da empresa onde trabalhava, se era rádio, TV ou impresso, mas logo em seguida me liberaram.
Na saída nossos guias estavam nos esperando. Nosso hotel Les Jardins de La Medina ficava dentro da Medina, a cidade antiga.
No Marrocos tudo é muito especial e diferente de tudo que eu já tinha visto, acho que é exatamente isso que assusta. A cultura, as roupas, a língua, a sensação de cidade suja e o trânsito caótico dentro da Medina, causa um certo desconforto no início.
O Flavio não parava de pedir desculpas por ter me colocado nessa furada justamente na nossa lua de mel, pedi calma e falei que estava tudo bem, que a gente iria gostar.
Chegamos no hotel e toda essa imagem começou a desaparecer. O hotel era maravilhoso e os guias já marcaram um passeio para o mesmo dia, o que foi muito bom porque fomos dormir com a sensação de que a viagem iria valer a pena.
Neste mesmo dia fomos para o Majorelle Gardens, um jardim que foi restaurado por Yves Saint Laurent e Pierre Bergé, no início da década de 80. Ao lado Saint Laurent tinha uma casa e sempre que estava em Marrakesch passeava pelo jardim. O lugar é muito bonito, possui uma das maiores coleções de plantas do mundo, os cinco continentes estão representados lá, e o que chama a atenção não é somente a diversidade, mas também o colorido do todo. Dentro do jardim tem um local para um café e lanchinhos.
Em memória a Yves foi construído um monumento no local.
Logo depois do Majorelle fomos para a Praça Jemaa el Fna, o local é enorme e há dezenas de restaurantes improvisados com comida típica e muitas cabanas onde se vendia ostras, temperos, hortelã, especiarias e suco de laranja, aliás o suco de laranja marroquino é muito bom.
Outra atração do local são as apresentações. Tem de tudo, encantadores de serpente com suas diversas cobras e macacos que são jogados em cima de quem passa desatento, danças, malabares, teatro, pinturas, tatuagens típicas, jogos… e se você tirar uma foto... já era, vai ter que dar um dinheiro ( no Marrocos é o Dirham), caso contrário eles não vão parar de te seguir. Na verdade essas apresentações não são nada elaboradas ou impressionantes, pelo contrário, qualquer um que souber fazer qualquer coisa será bem vindo a se apresentar pois sempre terá turistas, como eu, achando legal toda essa demonstração cultural. Mais tarde você até para e pensa: “que coisa ridícula de se fazer.”
O suco bebi, mesmo vendo que a mão que cortava a laranja era a mesma que espremia a laranja e que pegava o dinheiro. Já a comida não tive coragem, tudo a céu aberto e com aspecto de sujo, sem contar as opções como língua, cabeça e cérebro de carneiro… definitivamente, não.
O Marrakech Souk, conglomerado de lojinhas com coisas típicas da região, fica em volta dessa praça. Não estranhe se você voltar para casa com coisas que não estava precisando comprar, os comerciantes são ótimos vendedores, e provavelmente se você tocar em um produto você vai acabar levando. Nesse lugar você encontra diversos objetos tradicionais da região, desde roupas até uma panela ou luminária e também produtos falsificados.
Na praça Jemaa el Fna é onde as pessoas se encontram à noite, principalmente no período do Ramadã, para comer quase até amanhecer. Pegamos exatamente o início do Ramadã, no qual as pessoas só podem comer depois que o sol se põem, por volta de sete e meia, até antes do amanhecer. No período do nascer do sol até ele se pôr, as pessoas não podem comer, beber, e isso inclui água; e nem olhar 3 vezes para a mesma mulher, fazer sexo então, nem pensar!
Durante o dia era possível ouvir a leitura do alcorão vindo dos alto falantes das mesquitas, na verdade são cinco vezes por dia que são realizadas as orações, e sempre que elas começam uma onda de pessoas é vista entrando nas mesquitas. Todo esse ritual é realizado no nono mês do calendário Islâmico.
É uma cultura bastante diferente na nossa, mas muito bonita. Perguntamos para o nosso guia qual era o significado do Ramadan para os muçulmanos e se tinha algum tipo de fiscalização para saber se todos esses rituais eram seguidos. Ele respondeu de uma forma muito bonita que não tinha fiscalização nenhuma, e que neste período do Ramadan você busca ser uma pessoa melhor, busca a disciplina, o respeito, livrando-se dos maus pensamentos e atitudes, dando valor ao que realmente importa na vida, a família, a caridade, a ajuda ao próximo e buscando a fé como guia para tudo isso perdurar. Para eles isso tudo só é possível se os rituais forem seguidos e o Alcorão lido. A fé e o respeito por esses rituais é emocionante.
Mas como ficar sem comer e beber por um período de um mês, onde o sol é escaldante? Explico!! Na verdade eles ficam até tarde da noite acordados, comendo e bebendo, e no dia seguinte dormem até 11 horas da manhã, desse horário até o por do sol ficam sem comer e beber. Mas e a sede? Deve ser difícil... uma das alternativas que eles encontraram é molhar a boca sem engolir a água.
O jejum é obrigatório para todos os muçulmanos que chegam a puberdade, e um momento bastante significativo já que o primeiro Ramadan seguido por um jovem
significa sua entrada na vida adulta. Grávidas, pessoas doentes, idosos, mulheres menstruadas ou que estão amamentando são liberados do jejum.
Caso o jejum seja quebrado, a pessoa terá que alimentar 60 pobres ou iniciar um novo jejum e respeitá-lo por 60 dias.

Na região do Souk, fomos levados pelo nosso guia à uma loja de tapetes Marroquinos, esses tapetes são bastante conhecidos pela sua beleza, no entanto, segundo um amigo que vende tapetes, não possuem valor comercial. Por isso, se você for ao Marrocos e a uma loja de tapetes, primeiro: lembre-se que os comerciantes são ótimos vendedores e você vai acabar comprando um tapete. Segundo: o tapete vai te custar o olho da cara, mas mesmo assim você vai achar que está fazendo um ótimo negócio.
Terceiro: depois de comprar você vai descobrir que o tapete não tem valor comercial. Quarto: se você estiver no início de sua viagem, provavelmente não vai querer ficar carregando um tapete durante toda a viagem e vai acabar aceitando a opção de entrega no Brasil. Quinto: você vai ficar puto da vida quando descobrir que vai ter que pagar 50% de imposto na alfândega. Mas sabe o que é legal? Quando você colocá-lo na sua sala vai rir lembrando dessa história, sem contar que o tapete é lindo.
Na verdade foi exatamente isso que aconteceu com a gente, mas mesmo assim não nos
arrependemos de ter comprado. Por isso, se você quiser comprar um tapete marroquino quando estiver no Marrocos, compre, pelo valor sentimental, por querer ter um peça bonita como lembrança de um lugar inesquecível. Ah ... e não se deixe levar pela história dos tapetes antigos. Esses podem não ser mais velhos, muitas vezes são colocados no teto das casas para pegar sol e ficar com esse aspecto e depois são vendidos como sendo do século passado.
A história do Marrocos conta que depois de longas viagens atravessando desertos os viajantes eram recebidos com muita fartura e festa. Para sentir tudo isso de perto nada como ir jantar no Chez Ali Fantasia de Marrakech, um lugar lindo que além de comer muito, você acompanha a apresentação de cavalos e danças típicas do Marrocos. Foi uma pena que a máquina fotográfica e a filmadora acabaram a bateria e quase não temos imagens desse lugar, um dos mais bonitos. A quantidade de comida é absurda, no total são cinco diferentes pratos com comida típica, como uma sopa meio picante, costela de carneiro, couz couz, sobremesa e no final uma travessa cheia de frutas. É impossível comer um prato todo, imagina cinco.





Depois do jantar aconteceu a apresentação. A história se passa no deserto e você é convidado a sentir a emoção dos ataques realizados com cavalos, armadilhas, das crenças, danças e mulheres que atravessavam o deserto. Claro que o camelo está lá presente na história do deserto e do Marrocos. Aliás no dia em que fomos andar de dromedário o guia nos contou um pouco das curiosidades desse animal, essencial para a sobrevivência da humanidade.

A primeira vista a diferença do camelo para o dromedário é o número de bossas ou corcovas que cada um tem, onde durante muito tempo acreditou-se que o animal reservava água. O camelo tem duas corcovas e o dromedário apenas uma e nesse local é armazenado gordura que o animal usa sempre que não pode comer ou beber. O camelo é encontrado na parte central da Ásia e o dromedário habita a região da África, como o Marrocos.
Os camelos, sempre que podem, comem em grande quantidade e bebem muita água. No deserto são de grande utilidade, pois resistem ao calor e no frio, à noite, aquecem os viajantes. Como ele possui um reservatório de água, sempre que necessário ele é sacrificado para salvar a vida de outros que podem morrer de sede no deserto.

Logo depois de andar de dromedário fomos dar uma volta de quadriciclo. No início fiquei com medo, mas depois foi legal. Passamos por locais abandonados, no meio de vilas no deserto e no final é que nos damos conta do quanto estávamos sujos, cobertos de poeira.
É impressionante como brasileiro se espalha mundo afora, estávamos na piscina do Hotel quando conhecemos um brasileiro muito gente boa que mora em Londres, o Heron. Fomos juntos para o Nikki Beach de Marrakech. O lugar é bem legal, como todos os Nikki Beachs, e caro como todos. Só para entrar pagamos 250 Dirham. A comida e a bebida também não são baratas, mas o lugar é bacana, pessoas bonitas, muitos turistas, musica boa. Em momentos você até esquece que está no Marrocos, até olhar sobre os muros que cercam o clube. Mas vale a pena conhecer...
E por último o Jardim La Menara, um dos cartões postais mais conhecidos de Marrakech é desde lugar. Em volta tem uma plantação de azeitona que é irrigada pelo lago desse ponto turístico. E o lago é mantido por um sistema de encanamento que trás a água das montanhas, exatamente, mesmo num calor de 43º, às vezes mais outras menos, nas montanhas dá para ver o gelo, no seu cume. E caso algum dia todo o gelo derreter a água acaba no Marrocos.
A viagem ao Marrocos foi perfeita, só incluiria mais jantares em diferentes restaurantes e um passeio pelo deserto do Saara, que fiquei morrendo de vontade de fazer, mas aí precisaria de mais alguns dias, o que não tínhamos naquele momento.
Uma dica importante é a seguinte: sempre que for pela primeira vez para um lugar exótico, como Marrocos, é importante fechar um pacote antes, com os passeios e guias para não ficar com medo de sair de dentro do Hotel. A cultura de um lugar como o Marrocos, no primeiro momento, assusta um pouco e você acaba ficando com medo de sair pra rua, como aconteceu com muitos que estavam hospedados no nosso hotel, o que será um grande desperdício, pois você vai deixar de conhecer a cultura e os mistérios de um lugar impressionante.
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